Boa fase da moda masculina é incentivo para mercado brasileiro

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As mulheres ainda compram mais, mas os homens têm diminuído essa diferença. Em 2014, Segundo a consultoria de Mercado Euromonitor International, as vendas mundiais no segmento de moda masculina cresceram 4,5%, contra 3,7% do setor feminino. E esse comportamento não é pontual: tem acontecido desde 2010. No começo do ano, o WWD realizou uma conferência sobre moda masculina esperançosa para o setor: as discussões com especialistas de vários países apontou que o homem está disposto a gastar até mais do que o que é cobrado por peças de marcas de luxo, já usa itens que antes eram considerados femininos, como a bolsa, numa tendência de quebra de barreira de gêneros do vestuário e de acessórios, que o mercado de roupas masculinas na China é maior – pasmem – que o feminino e que o homem anda preocupado em se vestir melhor, investindo em peças de alfaiataria elaboradas e sob medida. Não à toa, Nova York lançou a primeira semana de moda masculina de sua história de fashion weeks em julho passado.

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Muito animador. Mas como será que essa realidade se aplica ao Brasil?

Por aqui, o mantra de que o homem brasileiro é conservador e que o que dá certo em termos de vendas de moda são os itens básicos e clássicos se perpetua. Será? Há menos de um mês, a abertura da nova loja de João Pimenta, com objetivo de se aproximar da moda comercial masculina, criando linha de camisetas com shape unissex e estampas conceituais, venda de suas peças antes apenas sob medida no prêt-à-porter e planos de lançamento em breve de uma linha de ternos prontos com twist de design abriu espaço para esse questionamento. E não é só Pimenta que traz esperança para que o homem brasileiro se vista melhor sem ter que virar um fashionista. Grifes com estética clean apuradas como a Cotton Project, conceituais como a recém-aberta Ratier, minimalistas e preciosas como a Piet 73 apontam para um jeito de criar roupas com forte identidade de moda e pé no chão comercial, preenchendo uma lacuna de demanda que, ao que tudo indica, existe no País.

“O grande problema do mercado de produto no Brasil são os extremos: ou a moda é muito jovem, supercasual, ou formal, que é a alfaiataria tipo roupa de trabalho. No meio não tem muita coisa. Isso é um problema porque não se desenvolve o vestir bem dentro do estilo casual”, analisa Sylvain Justum, editor de moda masculina da revista GQ. E completa. “Há o famoso círculo vicioso da ideia de que a roupa mais elaborada masculina não vende porque o cliente não a entende, e que o cliente não compra porque ninguém oferece. Será que o homem brasileiro não compraria mesmo?

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A tendência de acessórios e alfaiataria exclusiva, retornando ao hábito de confeccionar peças sob medida não só para serem usadas no escritório mas em produções tipo dandy, a exemplo de celebridades como Justin Bieber e Jonas Brothers, está em alta lá fora e ganhou reflexo por aqui, com novos alfaiates de sucesso como Bruno Colella e Alexandre Won. Isso, aliado à abertura de serviços sob medida de marcas de luxo como Gucci e Dolce&Gabbana também no Brasil sinalizam que ventos de mudança sopram em território nacional. “O mercado de moda masculina mudou bastante nos últimos 10 anos, principalmente pelo ambiente de trabalho também ter mudado muito nesse período. Empresas que exigem que o homem use roupa social todos os dias ou uniformes são cada vez mais raras. Além disso, o fato de que nossas vidas estão constantemente sendo documentadas em mídias sociais contribuiu para que os homens percebam que a boa aparência é parte do dia a dia deles”, acredita Mariana Santiloni, Senior Client Services Executive para a América Latina do WGSN, consultoria de pesquisa de tendências de lifestyle e moda.

O novo comportamento masculino, principalmente no Brasil, é parte de um nicho ainda bem pequeno do mercado, mas existe. Resta saber se é grande o suficiente para fazer as marcas voltadas para ele se manterem, já que a maioria dos homens ainda compra… sapatênis. “A moda masculina no Brasil é bem peculiar. As peças que funcionam muito bem no nosso mercado são extremamente comerciais, como as golas polo de piquê e o sapatênis, que são produtos que não têm um impacto tão grande no resto do mundo. No exterior, vemos similaridades no consumo e estilo masculinos, mesmo com as particularidades de cada país. Aqui noto algo completamente diferente, uma moda super regionalista, feita no geral para o homem tradicional brasileiro. Mas existe um movimento de novas marcas engatinhando para mudar esse cenário.”

 

Fonte: FFW

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