Couro feito de Chá

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Pesquisadores desenvolveram tecido 100% biodegradável a partir do bioproduto do chá kombucha que pode ser usado em roupas, calçados e bolsa

No seu ciclo de vida, uma peça de vestuário pode ter um impacto ambiental considerável: em primeiro lugar, através da sua produção e transporte; em segundo lugar, através da sua permanência em guarda-roupas e máquinas de lavar; e terceiro, como resíduo após seu descarte. Os materiais comuns como o poliéster, que é feito a partir de petróleo e algodão, o qual exige 20.000 litros de água para produzir um quilograma da cultura, fazem a produção têxtil ser um aparente vilão em um mundo lutando para atenuar a mudança climática.

Todos os anos, cerca de 40 milhões de toneladas de resíduos têxteis são produzidos no mundo. Com os ocidentais comprando roupas mais baratas e em maior quantidade a cada ano através da indústria do fast fashion, milhões de toneladas de tecidos acabam em aterros anualmente – 350.000 toneladas no Reino Unido e mais de 15 milhões de toneladas nos EUA. Isso também acontece nos países em desenvolvimento, onde a maior parte do vestuário de fast fashion é produzida. Resíduos têxteis da China, por exemplo, compreendem de 3,5 a 4 por cento de todos os resíduos do mundo. Mesmo quando recicladas e reutilizadas, roupas ainda acabam no lixo eventualmente.

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A professora Young-A-Lee e sua equipe de pesquisadores projetaram um protótipo de colete e sapato feitos a partir de uma fibra à base de celulose cultivada em seu laboratório

A equipe de investigação da Universidade Estadual do Iowa desenvolveu um novo tecido à base de celulose a partir de um subproduto do chá de kombucha que é 100 por cento biodegradável e tem propriedades semelhantes às do couro. Ele pode ser usado para fazer roupas, sapatos e bolsas.

O novo tecido é um filme semelhante a um gel de fibras de celulose – resíduo de chá – que é alimentada com uma colônia simbiótica de bactérias e leveduras (SCOBY), basicamente uma mistura do vinagre e açúcar. O tecido é cultivado em recipientes de plástico rasos, assim como as plantas: ele é cultivado, alimentado, colhido e dessecado. Não há necessidade de maquinário pesado da fabricação têxtil – a produção lembra mais uma estufa.

No entanto, o novo tecido similar ao couro ainda está longe de viabilidade comercial. A absorção de umidade do ar e o uso da peça pelas pessoas amolecem o material, e o frio a torna quebradiça. Além disso, o ciclo de crescimento do tecido leva de três a quatro semanas e é altamente dependente das condições de temperatura e de espaço. Há ainda preocupações com conforto, durabilidade e cuidados com as roupas feitas a partir deste tecido.

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Fibra de celulose cultivada no laboratório da Universidade Estadual do Iowa

Para que o novo tecido passe pela transição de um projeto de laboratório e caridade ambiental a um produto competitivo real, a equipe teria que ir além do desenvolvimento de um processo de produção em massa ideal e melhorar a funcionalidade geral. A aparência e o caimento seriam os principais motores de uma decisão de compra. Uma pesquisa entre estudantes universitários de Iowa com um protótipo de colete mostrou que o desejo deles de comprar um produto deste tecido era ainda menor do que a sua resposta inicial positiva para ele.

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Um protótipo de colete feito com o novo tecido de resíduos de chá

O tecido totalmente renovável foi testado para outras aplicações, incluindo alimentação, cosméticos e tecido biomédico para curativo. No entanto, como até mesmo o algodão orgânico, outra alternativa sustentável para a indústria de vestuário, representa apenas 0,03 por cento da produção mundial de algodão, a equipe ainda tem um longo caminho a percorrer antes que os consumidores comecem a pendurar os coletes feitos de resíduos de chá em seus guarda-roupas.

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